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Milho Safrinha - Safra 2014/15
O preço do milho vem caindo nas últimas semanas, resultado de diversos fatores. Entre os mais importantes, podemos citar: 1) a aproximação do período de colheita da safrinha no Brasil; 2) a queda de preços acumulada na CBOT, devido ao avanço da semeadura nos EUA; 3) desvalorização do dólar no período. A queda nas cotações internas de milho pode ser observada na Figura 1 abaixo.



Figura 1 - Evolução do preço do milho – BM&F Bovespa (R$/sc)





Fonte:CEPEA/ESALQ



A aproximação do período de colheita da safrinha, por si só, já exerce um impacto negativo sobre os preços internos. Esse fator está sendo potencializado pela expectativa de uma safrinha robusta. De acordo com a última estimativa da CONAB, a produção de milho na 2ª safra deve atingir 48 milhões de toneladas. Se a expectativa se confirmar, a produção total de milho (safra verão + safrinha) no Brasil irá alcançar 78 milhões de toneladas. Somados os estoques remanescentes da última safra, na ordem de 14 milhões de toneladas, teremos uma oferta de 92 milhões de toneladas de milho. O consumo interno é de aproximadamente 55 milhões de toneladas e as exportações geralmente não costumam passar de 20 milhões de toneladas. Com isso restariam, no estoque ao final da safra, cerca de 17 milhões de toneladas em 2015.



Tabela 1 - Balanço de oferta e demanda de milho no Brasil (mil tons)





Fonte: CONAB



O mercado a termo (venda para entrega futura) se encontra parado no momento. As tradings não querem fechar contratos para embarque de milho em julho e agosto; aceitam apenas fechar contratos para embarque em setembro e outubro, pois essas empresas estimam que ainda estarão embarcando soja no início do segundo semestre. Essa preocupação deriva do histórico recente da Safra 2012/13 onde o congestionamento do milho nos portos, no segundo semestre 2012, afetou os fretes de soja em todos os embarques de 2013, prejudicando os resultados dos exportadores. Baseados nessa experiência entende-se que, eventuais atrasos nos embarques de soja – com reflexos no milho – devem trazer alguma dificuldade no escoamento para a exportação da safra de milho até o final do ano, elevando dessa forma a estimativa de estoque no 31/12/2015.



Na questão da rentabilidade do produtor rural, observamos novamente uma safrinha muito próxima ao break-even para os produtores de Mato Grosso. No estado, mais de 50% da produção foi comercializada antecipadamente, com preços médios entre R$ 15,00/sc e R$ 16,00/sc. Esse preço garantiria ao produtor uma pequena margem de lucro. Contudo, a redução de preços supracitada - que impacta sobre o montante da produção ainda não comercializada - deverá puxar o preço médio de venda para baixo. Com isso, os produtores menos eficientes, os que sofreram alguma quebra e, também, aqueles com grande percentual de área arrendada e/ou sem armazém próprio, possivelmente não conseguirão rentabilidade positiva com a cultura. Como agravante, é importante salientar que um eventual retardamento nas vendas, em função da baixa liquidez do produto, poderá comprometer o fluxo de caixa dos produtores mais estocados.



Nos estados de Goiás e Paraná, o prolongamento do período de chuvas também beneficiou as lavouras de milho safrinha. A boa expectativa de produtividade, somada aos preços mais elevados (em relação ao Mato Grosso), deve garantir uma boa rentabilidade com o cereal, conforme a Tabela 2 abaixo.



Tabela 2 - Rentabilidade (lucro / custo) do milho safrinha – Safra 2014/15





Fonte: Agrometrika

Algodão - Safra 2015

O algodão, cultivado em grande parte nos estados de Mato Grosso e Bahia, deve começar a ser colhido apenas a partir da última semana de junho. As chuvas fora de época já começam a preocupar os produtores mato-grossenses. Se as chuvas não cessarem na próxima semana, podem ocorrer eventuais perdas de qualidade da fibra e, em alguns casos, quebra de produtividade. Na Bahia, as chuvas volumosas em abril chegaram a preocupar os produtores, mas o clima se normalizou em maio. A expectativa de produtividade nos estados de Mato Grosso e Bahia é de 101 e 104@/ha, respectivamente.



A CONAB estima que houve uma redução de quase 13% na área plantada com relação à safra passada. A redução da área foi resultado da queda do preço do algodão a partir de meados de 2014, desestimulando o cultivo da fibra. Entretanto, os preços internos começaram a se recuperar em 2015, muito em conta da rápida valorização do dólar a partir do mês de março. Apesar da queda do dólar para um patamar um pouco abaixo daquele observado ao longo do mês de março, não houve redução no preço interno de algodão, como mostra a Figura 2 abaixo:



Figura 2 - Evolução do preço do algodão x Evolução da taxa de câmbio





Fonte: CEPEA/ESALQ



Nos meses de abril e maio, os preços internos conseguiram se manter nesses níveis mais elevados devido ao aumento nos preços da fibra na Bolsa de NY, que foi motivada pela limitada oferta de algodão de qualidade nos EUA. Os prêmios que vêm sendo pagos para originar produto nos EUA estão elevados, pois grande parte do algodão de qualidade da última safra já foi comercializado.



A China tem demandado algodão nos primeiros meses do ano. Porém, esse cenário pode mudar no segundo semestre. O país asiático possui reservas de algodão equivalentes a 50% do consumo mundial anual, entretanto, esse algodão se encontra fora do mercado, pois o governo chinês não está comercializando os estoques. Há a possibilidade de que os estoques chineses comecem a ser vendidos a partir do segundo semestre, o que pode provocar queda nas cotações internacionais nos próximos meses.



Ainda que os preços estejam elevados em comparação com os últimos meses, houve muita venda antecipada por parte dos produtores entre o final de 2014 e janeiro de 2015, quando os preços ainda se encontravam deprimidos, o que deve puxar o preço médio de venda do produtor para baixo. Até o momento, cerca de 50% da produção foi comercializada antecipadamente.



Em relação à rentabilidade do produtor rural, o cenário não é dos melhores. Mesmo com os preços internos em níveis considerados bons, os preços em dólar ainda estão baixos. Deste modo, para os produtores de algodão, que, em geral, financiam grande parte da sua lavoura em moeda estrangeira, o aumento de preços foi acompanhado por um aumento do custo de produção. A tabela a seguir mostra a rentabilidade de três diferentes perfis de cotonicultores: a) se financia exclusivamente em reais (exceção); b) 40% do seu custo é dolarizado; c) 80% do seu custo é dolarizado.



Tabela 3 - Rentabilidade (lucro/custo) do algodão – Safra 2014/15





Fonte: Agrometrika

Recuo de crédito bancário deve incentivar mecanismos alternativos de financiamento

Recentemente, estamos verificando na economia brasileira uma significativa retração do crédito bancário – especialmente das linhas que dependem de subsídios governamentais -, em função da política de ajuste fiscal e da queda da atividade econômica. Essa situação aumenta o ambiente de risco de inadimplência para as instituições financeiras.



A partir de dados do Banco Central, pode-se verificar um aumento dos atrasos entre 15 e 90 dias dos recursos direcionados para Pessoas Jurídicas em 2015. Nas linhas de crédito rural, o percentual de atrasos aumentou de 0,14% em 2014 para 0,23% em 2015, o que representa o mesmo patamar de 2011 e acima dos patamares de 2012 e 2013. Já para o total da economia, a proporção de atrasos passou de 0,85% em 2014 para 1,26% em 2015, com o maior nível dos últimos cinco anos, conforme a Tabela 4.



Tabela 4 - Percentual da carteira de crédito com recursos direcionados com atraso entre 15 e 90 dias - Pessoas Jurídicas





Fonte: Banco Central



Em relação às taxas de juros nas operações de crédito bancário para as Pessoas Físicas, verifica-se um aumento. Para as linhas de crédito rural com taxas reguladas, houve um aumento de 4,95% a.a. em 2014 para 5,06% a.a. em 2015; para as linhas de crédito rural com taxas de mercado, a taxa passou de 14,11% a.a. para 15,84% a.a., que é o maior patamar dos últimos cinco anos.



É interessante notar que as taxas de mercado estão no maior patamar dos últimos cinco anos, diferentemente das taxas reguladas. Provavelmente, um dos fatores importantes para esse cenário é que os bancos privados estão avaliando o setor com maior risco no início de 2015, como reflexo do próprio aumento do nível de atrasos, conforme demonstrado na Tabela 4. Para a economia como um todo, também houve um aumento dos juros em 2015 em relação aos dois últimos anos, porém a taxa encontra-se em um patamar inferior a 2011 e 2012, conforme a Tabela 5 abaixo. Porém, em face das dificuldades da economia como um todo, e observando o que ocorreu em 2008, o mercado financeiro privado começa a olhar o segmento do agronegócio como alternativa para financiamento do custeio, sendo notória a movimentação de alguns bancos na direção do crédito ao produtor rural.



Tabela 5 - Taxa de juros (a.a.) - Operação de crédito para Pessoas Físicas





Fonte: Banco Central



No campo do financiamento de bens de capital, além do aumento do nível de atrasos e da taxa de juros, observa-se uma retração do volume de financiamento agroindustrial com recursos direcionados do BNDES em 2015, conforme a Figura 3. O montante liberado nos dois primeiros meses de 2015 foi de R$ 1,34 bilhão, queda de 20% em relação ao mesmo período de 2014, conforme dados do Banco Central expresso abaixo.



Figura 3 - Concessões de crédito com recursos direcionados, Pessoas físicas e financiamento agroindustrial com recursos do BNDES (R$ milhões)





Fonte: Banco Central



Para complementar, também temos queda no crédito de financiamento imobiliário, com a diminuição da captação de poupança, queda dos subsídios e diminuição das condições oferecidas pelo principal banco do setor, a Caixa Econômica Federal. No dia 12 de maio, o governo rejeitou a liberação de compulsório para o financiamento de imóveis, conforme solicitado por entidades ligadas à construção civil.



Nesse contexto de redução de crédito bancário, há um incentivo econômico para o desenvolvimento de fontes alternativas de financiamento ligadas ao mercado de capitais, tais como: as LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e a LCA (Letra de Crédito Agrícola). Alternativamente, o crédito comercial – com concessão de prazos para pagamentos dos fornecedores aos distribuidores – será mais demandado nesse contexto de queda de crédito bancário.



Por outro lado, os atrasos da distribuição de insumos tendem a aumentar em 2015 o que tornará a concessão de crédito da indústria mais restritiva, fator que influenciará no nível de tecnologia e dimensionamento de área da próxima safra.



Para as empresas do agronegócio, será muito importante uma boa condição de liquidez (Liquidez Corrente) e baixo endividamento de curto prazo. Em contexto de crise de liquidez, a obtenção de margens mais positivas e bom patrimônio líquido é fundamental para a sobrevivência, visto que as áreas de análise de crédito dos bancos e das empresas comerciais estão – por necessidade a aversão ao risco – tornando-se mais rigorosas nas concessões e liberações de créditos. Até mesmo operações que já haviam sido pré-aprovadas podem ficar represadas, com o aumento do rigor e conservadorismo, reflexo das crises econômica, política e social

Fonte: Agrometrika Inteligência, Tecnologia e Rating

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