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Performance de Crédito da Safra Verão 2015/16

Em julho, a Agrosecurity e a Agrometrika realizaram uma pesquisa de performance de pagamento dos créditos concedidos na Safra Verão 2015/16 pelas empresas que atuam no agronegócio. O objetivo é verificar o desempenho médio do mercado em termos de regiões que apresentaram maiores problemas, taxa de inadimplência e comparação da qualidade de retorno do crédito em relação aos anos anteriores.



1. Análise dos Resultados

A pesquisa obteve 74 respostas de diversas empresas financiadoras da cadeia do agronegócio. Do total de respostas, 44% foram de Distribuidores de Insumos e 33% da Indústria de Defensivos; o restante ficou bem distribuído entre os outros segmentos, como demonstra o gráfico abaixo:

Gráfico 1 - Segmento de atuação das empresas nas quais trabalham os participantes da pesquisa

grafico 1
As regiões citadas como as mais problemáticas foram o Norte do Mato Grosso e MATOPIBA. A região Norte de Mato Grosso, principal região produtora de soja do país, sofreu com chuvas abaixo da média durante todo o período de safra. A média de produtividade da soja na região ficou entre 48 e 49 sacas/ha, mas alguns municípios mais afetados pela estiagem colheram em torno de 40 sacas/ha.

Já o MAPITOBA sofreu com uma grave estiagem na época de plantio e depois no enchimento de grãos. Na Bahia, a média de produtividade da soja foi de 35 sacas/ha. No MAPITO a produtividade média não atingiu as 30 sacas/ha. Essas regiões sofreram com quebras de produtividade nas últimas safras, deste modo, os produtores já estavam com uma situação de liquidez ruim devido aos problemas nas safras anteriores. O mapa abaixo apresenta o índice de quebra de safra de soja no ciclo 2015/16 no Brasil:



Figura 1
- Mapa de índice de quebra de safra para a cultura de soja - Safra 2015/16

figura 1


Em relação à expectativa de inadimplência na Safra Verão, as respostas foram distribuídas da seguinte forma:

Gráfico 2 - Percentual estimado de inadimplência na Safra Verão 2015/16
grafico 2

A maior parte das respostas concentrou-se no intervalo entre 2 e 3%, seguido pelos intervalos entre 3 e 4% e acima de 10%. A menor frequência esteve nos intervalos até 0,5%, de 1,0 a 1,5% e de 5% a 7,0%. A próxima tabela apresenta a comparação da distribuição da inadimplência entre os distribuidores de insumos, as indústrias de defensivos e o total, que considera todas as respostas obtidas.

Tabela 1 – Distribuição da taxa de inadimplência por segmento de atuação

tabela 1


Chamou atenção o fato de que 50% das respostas dos Distribuidores de Insumos indicam uma expectativa de inadimplência acima de 4%; em 19% das respostas, foi informado uma expectativa de inadimplência acima de 10%. No caso de Indústria de Insumos, a inadimplência superior a 4% foi citada em 42% das respostas. Já a expectativa de inadimplência superior a 10% apareceu em 21% das respostas. A média de inadimplência dos distribuidores de insumos foi de 5,6%, acima dos 4,7% de inadimplência das indústrias de defensivos. A média total de inadimplência foi de 6,0%.

Para fins de comparação, mostramos abaixo a evolução da taxa de inadimplência nas operações de crédito rural para Pessoa Física entre 2014 a 2016, extraído do Banco Central do Brasil. Observa-se que houve crescimento gradativo da taxa de inadimplência no período. Em maio/16, a taxa de inadimplência foi de 2,11%. Destaca-se que esses dados foram obtidos da base do Banco Central e não fizeram parte de nossa pesquisa.

Gráfico 3 – Evolução da taxa de inadimplência nas operações de crédito rural com Pessoa Física (em percentual)

grafico 3
Fonte: Banco Central, elaborado por Agrosecurity

Uma pergunta muito interessante e ilustrativa contida no questionário foi sobre a percepção da performance de crédito em relação às safras anteriores. As respostas possíveis eram: “pior”, “igual” ou “melhor”. Do total de respostas obtidas, 49% indicaram uma situação pior que a das safras passadas, ao passo que apenas 19% consideraram 2016 melhor do que os anteriores. Os demais 32% indicaram que a performance de recebimento das contas da Safra 2015/16 foi igual ao das safras passadas, como demonstra o gráfico abaixo:

Gráfico 4 - Percepção de performance de crédito em 2016 em relação às safras anteriores

grafico 4

2. Considerações sobre as respostas obtidas

Com a insuficiência dos recursos bancários para o financiamento dos produtores rurais, os distribuidores de insumos e as indústrias de insumos são importantes agentes financiadores do agronegócio brasileiro. Portanto, as vendas a prazo representam grande parte do faturamento dessas empresas.

Percebe-se que a inadimplência acima de 4% figurou em 50% das respostas dos Distribuidores de Insumos. Considerando que, na média, esse segmento apresenta Margem Operacional na faixa de 4,5% (segundo estatísticas da Agrometrika), os níveis de inadimplência indicados na pesquisa, caso sejam recorrentes, inviabilizam o negócio.

A atividade de distribuição de insumos já possui um risco consideravelmente elevado, devido tanto à exposição acentuada ao clima de uma ou poucas regiões, como, também, ao nível elevado de alavancagem de grande parte das empresas do segmento. Logo, é imprescindível para uma empresa com essas características, o foco na gestão do crédito.

Chama a atenção o fato de a taxa de inadimplência das empresas comerciais ser significativamente mais elevada do que a taxa de inadimplência das instituições financeiras (6,0% contra 2,1%). Isso ocorre por diversos motivos, como: 1) Prioridade dos produtores rurais para pagamento aos bancos, já que essas instituições possuem proporção de garantias reais muito mais elevada que os agentes comerciais, que operam com maior proporção de garantias pessoais; 2) Nas operações com instituições financeiras, existe um nível de renegociação mais elevado e que acaba não sendo contabilizado como inadimplência, mas sim como um “crédito novo” utilizado para pagar o “crédito velho”.

Na indústria, a inadimplência tem um impacto mais restrito sobre as finanças da empresa. Apesar de também sofrer com o risco climático, a Indústria tem o risco mais bem distribuído entre as regiões produtoras. Outro fator está na exposição ao crédito safra, que tende a ser muito menor do que o observado nos Distribuidores. Por fim, temos a questão da Margem de Lucro do segmento variando entre 5 e 15%, o que representa um colchão muito maior do que o observado nos Distribuidores.

Texto: Felipe Prince Silva e Luiz Rafael Leite Azevedo



Fonte:
Agrometrika 

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