Passo a passo para realizar a amostragem dos grãos no Armazém

A amostragem de grãos realizada no Armazém é uma maneira de obter uma porção representativa do lote de grãos, indicando sua natureza qualidade e tipo. Além disso, é possível detectar impurezas e grãos quebrados.

Para a comercialização e até mesmo armazenamento seguro dos grãos, análises de qualidade devem ser realizadas.

Após a colheita, os grãos são transportados para unidades de beneficiamento, onde amostragens dos lotes recebidos são realizadas, seguindo metodologias padrões.

A coleta de amostras é feita tanto no recebimento do produto como durante as etapas de pré-processamento e armazenagem, ou ainda, por ocasião da sua expedição ou comercialização.

Quer entender melhor como realizar essa amostragem de grãos da maneira mais segura e assertiva possível? Então continue acompanhando o conteúdo!

A importância da amostragem de grãos

A amostragem consiste na retirada de uma pequena porção de grãos, de diferentes pontos do lote, com o objetivo de determinar sua qualidade.

Ao serem armazenados, especialmente a longo prazo, os grãos ficam sujeitos a alterações provocadas pelo calor, umidade e organismos associados, como insetos e microrganismos.

Entretanto, após a colheita, a qualidade dos grãos não pode ser melhorada, apenas conservada.

Dessa maneira, as análises de qualidade dos grãos recebidos é uma etapa importante para determinar o beneficiamento necessário (pré-limpeza, limpeza, secagem).

Também indicam sob quais condições esses grãos deverão ser armazenados, se devem ser imediatamente comercializados e qual será sua finalidade, visando diminuir perdas e otimizar processos.

Quando a amostragem de grãos deve acontecer?

As amostragens devem ser realizadas ainda na recepção da carga, antes da pesagem, e durante o armazenamento.

Na recepção, de preferência antes da pesagem da carga que está sendo recebida, faz-se a pré-amostragem, quando se verifica a qualidade e determinar o percentual de impurezas e o percentual de umidade do produto.

Pela pré-amostragem decide-se sobre o destino do produto, ou seja, se há necessidade de limpeza, secagem ou armazenamento imediato, ou até se deve ser rejeitado.

Antes da descarga, é feita a amostragem para determinar o teor de umidade, teor de impurezas, classificação do produto e, no caso do trigo, a determinação do peso hectolítrico.

Durante o armazenamento, é feita amostragem para verificar a ocorrência de insetos, roedores, deterioração, teor de umidade do produto, além da sua classificação.

Tipos de amostras de grãos

Segundo o Manual de Regras para Análise de Sementes (RAS), diferentes tipos de amostras são realizadas até que seja formada a amostra de trabalho final. São elas:

  • Amostra simples: é uma pequena porção do produto retirada de diferentes pontos do lote, por meio de amostrador;
  • Amostra composta: é a formada pela combinação e mistura de todas as amostras simples retiradas do lote. Por ser geralmente bem maior que a necessária para as diferentes análises, necessita ser reduzida antes de ser enviada ao laboratório ou posto de classificação;
  • Amostra duplicata: é a mesma amostra obtida da amostra composta. É obtida para fins de fiscalização e para casos de reanálise;
  • Amostra média: é a recebida pelo laboratório para análise, sendo resultante da homogeneização e redução da amostra composta;
  • Amostra de trabalho: é a obtida por homogeneização e divisão da amostra média pra ser usada nas determinações analíticas.

Equipamentos e métodos utilizados

Existem dois métodos para se realizar a amostragem do lote de grãos, sendo:

1.Sondas pneumáticas

De acordo com a Conab, para a coleta, o calador deve ser inserido no ponto desejado, com o recipiente de amostragem fechado e com o sistema desligado. O recipiente deve ser aberto para coleta e fechado instantes depois.

O sistema de sucção deve ser ligado para sucção da amostra e então ser desligado e reposicionado no próximo ponto. Somente quando estiver no ponto a ser amostrado, pode ser religado.

O amostrador pneumático não deve permanecer ligado durante todas as amostragens. Este procedimento não é adequado e não é considerado uma amostragem e sim uma simples coleta.

O equipamento estacionário, fixado em uma base, é utilizado para realizar a amostragem de grãos. O principal entrave desse equipamento é uma menor representatividade da amostra em relação ao calador manual.

Figura 1: Calador hidráulico (sonda pneumática fixa)

Já as sondas pneumáticas portáteis são utilizadas nos silos e graneleiros, retirando as amostras através da sucção dos grãos.

Figura 2: Sonda pneumática portátil

É importante destacar que, caso não sejam observadas as instruções de uso dos fabricantes, o uso desses equipamentos pode causar erros na amostragem devido à retirada de maiores quantidades de impurezas leves do que deveria e menos impurezas pesadas do que realmente possam existir.

2. Sondas manuais

É um equipamento composto por uma barra oca que pode variar entre 1,80 a 2,20 m, com a ponta cônica três “manetes”.

Figura 3: Calador manual

São extratores metálicos utilizados na amostragem de grãos a granel. Possuem divisões (septos) no seu interior, permitindo a retirada de várias amostras pequenas de uma só vez, em várias profundidades, podendo-se observar a qualidade do produto armazenado nos pontos coletados.

A grande vantagem do calador hidráulico é diminuir, consideravelmente, o esforço físico do operador, enquanto o calador manual apresenta um baixo rendimento operacional.

Então, como realizar uma correta amostragem dos grãos?

A amostra é uma parte ou porção de grãos, representativa de um lote, que é selecionada para a análise e classificação e que deverá conter todas as características médias similares do lote do qual foi retirada, indicando sua natureza, qualidade e tipo.

Confira o passo a passo para coletar essa amostra:

  • Reúna os materiais a serem utilizados: caladores, baldes de plástico e local de anotação;
  • Colete as subamostras: coletadas em pontos previamente definidos, dependendo de como a carga de grãos estiver apresentada;
  • Verifique o peso total da carga (lote);
  • Planeje o número de pontos de onde serão retiradas as subamostras;
  • Faça a homogeneização das subamostras: um procedimento que garante a representatividade do lote;
  • Reúna o material e pese os grãos homogeneizados.

Realizando a pré-amostragem

Nessa etapa, retiram-se as amostras antes da pesagem do veículo a fim de determinar o percentual de impurezas e umidade do produto recebido.

Como as impurezas normalmente ficam no fundo da carga e há possível ação de fatores externos durante o transporte, é realizada uma pré-amostragem e, durante o descarregamento, é feita a amostragem propriamente dita.

Além disso, durante o transporte, as impurezas mais pesadas se acomodam no fundo da carroceria do caminhão e as mais leves na parte superior, como podemos observar na imagem abaixo:

Figura 4: Segregação das impurezas durante o transporte

As amostras devem ser colhidas utilizando-se sondas manuais ou pneumáticas e devem ser coletadas ao acaso, em profundidades que atinjam o terço superior, o meio e o terço inferior da carga a ser amostrada.

Isso deve acontecer porque os grãos localizados na parte superior do caminhão ou vagão podem ter sofrido influência dos ventos, chuva ou sol e, além disso, durante o transporte, as impurezas mais pesadas tendem a se acomodar no fundo da carroceria do caminhão ou vagão e as impurezas mais leves na parte superior.

Assim, nos dois casos, o esquema de coleta a ser utilizado será determinado pelo responsável técnico pela unidade, que poderá inclusive modificá-lo para cada operação.

O peso mínimo para cada ponto amostral para formação da amostra composta é de 2 kg por ponto de amostragem.

Confira o esquema de coleta de amostras disponibilizado pela Conab:

Figura 5: Esquemas de coleta de amostra

Realizando a amostragem propriamente dita

Nas operações de recepção de grãos em unidades armazenadoras, a amostragem é realizada antes e durante a descarga dos grãos.

Podendo acontecer, ainda, em outros momentos:

Durante a recepção

Nas operações de recepção de grãos em unidades armazenadoras, a amostragem propriamente dita é realizada antes e durante a descarga do produto, ocasião em que são retiradas amostras da parte superior da carga, com a utilização de sondas manuais ou pneumáticas, e durante a descarga, com canecos ou baldes.

Durante a descarga da moega

Antes da descarga do veículo na moega, realiza-se uma amostragem da parte superior da carga, mais sujeita às intempéries durante a viagem.

Para caminhões convencionais, realiza-se a amostragem através da retirada de pequenas porções, em diferentes pontos e de ambas as laterais, assim que estas são abertas para o descarregamento dos grãos.

Figura 6: Amostragem de grãos durante a descarga

Ambas as amostragens, antes da pesagem e no momento da descarga, são importantes e devem ser homogeneizadas posteriormente para formação da amostra composta, que deve ser enviada para a análise.

Durante a armazenagem

No decorrer do período de armazenamento, deverão ser realizadas amostragens da massa de grãos a título de inspeção, objetivando verificar o estado qualitativo e fitossanitário do produto estocado.

As amostras devem ser coletadas com sonda pneumática portátil, sonda torpedo ou mesmo sondas manuais (a preferência por determinado equipamento será efetuada em função da maior ou menor facilidade e disponibilidade que o mesmo apresente por ocasião de sua introdução na massa de grãos).

Neste tipo de amostragem, as amostras devem ser analisadas separadamente, segundo as diferentes alturas em que foram coletadas para verificação da existência de possíveis “bolsas” de calor ou umidade.

Durante a expedição

Na expedição do produto, o sistema de amostragem vai obedecer aos mesmos critérios adotados na recepção do mesmo produto, com exceção de não haver necessidade da divisão da amostragem em três partes.

Assim, deve-se apenas coletar periodicamente as amostras nos dutos de saída dos silos de expedição até a quantidade recomendada em função do total a ser retirado:

  • Para quantidades inferiores a 500 t, retiram-se 40 kg para cada série de 500 t ou fração;
  • Para quantidades superiores a 500 t, retiram-se 40 kg para cada série de 500 t ou fração.

O que fazer após realizar a amostragem de grãos?

Após a retirada das amostras simples, é obtida a amostra composta, encaminhada ao laboratório para homogeneização, redução, análises e acondicionamento.

Essa homogeneização deve ser feita por meio de aparelhos próprios, homogeneizadores, ou então, precariamente, por meio de quaisquer materiais, como conchas, que permitam uma razoável mistura das amostras obtidas.

Assim, das três vias obtidas, uma será utilizada na determinação dos percentuais de umidade e de impureza do produto, sendo que toda sobra resultante após a efetuação da análise referida será devolvida ao lote em questão.

A amostra utilizada deverá ser armazenada por, no mínimo, 30 dias da data de retirada da mercadoria, após o que pode ser considerada varredura.

O impacto da amostragem de grãos na comercialização

Os limites máximos tolerados para defeitos na comercialização de grãos são regidos por Instruções Normativas, que estabelecem o regulamento técnico das culturas, com descontos progressivos e até mesmo descarte do lote quando não observados os limites tolerados.

A amostragem errada acarreta em estocagem e conservação inadequada. E isso, prejudica a comercialização, afinal, os grãos irão se danificar e perder seu valor.

Dessa maneira, a realização da correta amostragem, armazenamento e envio ao laboratório de análise é fundamental.

Assim, como vimos, realizar a amostragem de grãos é crucial para assegurar os esforços investidos durante o cultivo da cultura. Conte com o Grupo Siagri para automatizar seus processos, conheça nossas soluções completas para Armazéns.

Publicado por:
Coordenador de Consultoria em Gestão com mais de 10 anos de experiência no agronegócio. Especialista em Liderança e Gestão Empresarial e Processos Gerenciais e Administração de Empresas.