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Agronegócio
Publicação em 25 de novembro de 2020

Tudo sobre a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas

A tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas tem ganhado destaque especial a cada ano. Essa evolução acompanha o desenvolvimento do agronegócio brasileiro que teve crescimento anual de 3,43% em 2019 de acordo com um estudo divulgado pelo IPEA.

E ainda, o IBGE prevê safra recorde de 252 milhões de toneladas de grãos em 2020, um aumento de 4,4% em relação a 2019, onde soja, algodão e café devem atingir seus patamares mais altos de produção.

Parte dos números positivos citados acima se deve às tecnologias de aplicação, que elevam o padrão de qualidade da operação e dão maior segurança a todos os envolvidos no processo.

Neste momento, já começaram os movimentos na lavoura com o plantio da safra e é chegado o momento de ter total controle no que diz respeito as aplicações dos defensivos agrícolas.

Mas afinal, o que é tecnologia de aplicação? Como é utilizada na agricultura? De que maneira ela pode ajudar a melhorar as aplicações de defensivos?

Afinal, o que é tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas?

Atualmente, com a maior preocupação em relação à contaminação do ambiente por defensivos agrícolas e a maior exigência quanto a qualidade dos alimentos comercializados, torna-se essencial aprimorar as técnicas de produção para minimizar os efeitos negativos.

Dessa maneira, o emprego das técnicas de manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, juntamente com a utilização correta dos defensivos agrícolas, são fundamentais.

Sendo assim, a tecnologia de aplicação não se resume apenas ao ato de aplicar um herbicida, inseticida ou fungicida, mas sim na interação de vários fatores, que proporcionam a correta colocação do produto no alvo desejado, de forma econômica e sustentável.

Mas qual o objetivo dessa tecnologia no agronegócio?

O objetivo da tecnologia de aplicação é aumentar a qualidade da operação e trabalhar o processo, ajudando na segurança do operador e de quem está em volta.

Além disso, também posso citar a busca por garantir que o produtor consiga atingir o alvo da forma mais eficiente possível.

Isso é o que chamamos de “deriva”, ou seja, o deslocamento da calda do produto para fora do alvo.

A deriva pode acontecer devido à ação do vento, escorrimentos e ventilação. E ainda, há alguns fatores que influenciam para que isso aconteça, como:

  1. Tipo de ponta de aplicação;
  2. Condições climáticas durante a aplicação;
  3. Velocidade de aplicação;
  4. Altura de aplicação;
  5. Composição da calda de aplicação.

Estes fatores necessitam de uma atenção especial, afinal, pequenos detalhes podem ajudar na redução de deriva.

E como evitar que isso aconteça?

Existem boas práticas, como a utilização da tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas que podem reduzir as perdas dos produtos no campo. Vamos entender como realizá-la nas suas melhores práticas?

Boas práticas da tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas

Aliadas a inovações no campo no que diz respeito a aplicação, vêm as boas práticas que visam garantir os melhores resultados possíveis. São elas:

Receituário agronômico

O primeiro passo para uma aplicação responsável de defensivos agrícolas começa com o receituário agronômico.

Emitido por um profissional legalmente habilitado para tal, o documento contém a prescrição de uso do produto, com todas as recomendações técnicas necessárias para a pulverização: dosagem, modalidade de aplicação, intervalo de segurança, quantidade do produto, entre outras.

São essas diretrizes que devem guiar a aplicação dos defensivos do momento que a calda é preparada até a disposição final de resíduos e embalagens vazias.

Além disso, o receituário agronômico também traz orientações quanto ao uso dos equipamentos de proteção individual (EPI), que variam conforme a toxicidade do produto.

Processos bem definidos

O primeiro ponto vem na necessidade de ter processos bem definidos, retomando as boas práticas no campo.

Infelizmente, muitos agricultores fazem as aplicações sem nenhum tipo de processo definido, desde o preparo da calda até à pulverização.

Isso faz com que inúmeros problemas apareçam, ocorridos pela falta de planejamento, mas também por não contar com a orientação profissional.

Assim, o “vilão” não é o produto que combate a praga ou a doença, mas sim a forma inadequada usada na aplicação.

Mão de obra capacitada

Existe muita legislação por trás da aplicação de defensivos. Afinal, é um tema sensível no agronegócio.

E por isso, é necessário que os agricultores sejam cada vez mais profissionais e busquem pessoas habilitadas para o manejo dessa pulverização.

Ter conhecimento vasto é um pré-requisito para realizar o serviço, portanto, o profissional deve entender o que está fazendo para que a pulverização seja feita com segurança e respeitando o processo que já está descrito.

Maquinário adequado

Não existe uma máquina certa, mas sim a mais adequada ao tipo de cultivo com o qual o agricultor trabalha e isso faz uma grande diferença na tecnologia de aplicação, afinal, quanto mais tecnológica e recursos tiver, menor será o trabalho realizado e maior será a aplicação correta.

Por exemplo, para a aplicação de defensivos em grandes áreas e em um pequeno intervalo de tempo e em cultivos de culturas como soja, milho e trigo, é indicada a utilização do pulverizador de barra.

O pulverizador de barra é um equipamento que contém inúmeros bicos — ou pontas — de pulverização, que transformam a calda em pequenas gotas e as distribuem pela lavoura.

Para saber quais são os tipos de pulverizadores agrícolas mais adequados para cada área e cultura, recomendamos a leitura do artigo: realizando o planejamento de aplicações.

Regulagem adequada

Para manter a segurança da operação, é necessário que a calibração da pulverização esteja em dia.

Mas não se preocupe, isso não é algo tão complexo ou inacessível e mesmo o pequeno agricultor tem a opção de ter bicos que reduzem a quantidade de produto para o tipo de aplicação que ele precisa.

Para uma regulagem adequada, é necessário levar em consideração diversos aspectos que podem interferir na qualidade da pulverização, como:

Bicos de pulverização

A escolha do bico de pulverização adequado vai ajudar a reduzir as perdas por deriva e garantir maior uniformidade na aplicação. Eles definem:

  • A vazão;
  • O espectro das gotas;
  • O potencial de deriva;
  • A distribuição da aplicação.

E ainda, existem modelos certos para aplicações específicas. Confira na imagem abaixo:

Fonte: Agrozapp

Tamanhos de gotas

A gota ideal vai depender do objetivo da aplicação. O tamanho das gotas irá variar dependendo do tipo de produto quanto ao modo de ação e as condições climáticas.

Utilize gotas mais finas se deseja um volume menor com boa cobertura e gotas maiores para um volume maior de produtos mantendo a cobertura, servindo também para aplicações em condições de risco de deriva ou aplicação de produtos fitossanitários com característica do modo de ação no caso sistêmico.

Vale lembrar que quanto menor a gota, maior a chance de ser perdida por evaporação e deriva. Para evitar isso, é importante dar atenção à escolha de um adjuvante (óleo) de alta qualidade, que será utilizado na mistura da calda, e também estar atento às condições climáticas no momento da pulverização.

As gotas podem ser classificadas conforme o tamanho, e os bicos são separados por cores para facilitar a identificação:

Fonte: Embrapa

Volume de pulverização

Não há um volume de calda ideal, afinal, isso depende de fatores como o alvo, formato da planta, tipo de produto ou de ponta utilizada.

Porém, para se obter o volume ideal em cada um, é necessário realizar a calibração da pulverização com uso de técnicas e ferramentas para checar se a pulverização está atingindo o local em que deve ser depositado o produto.

É necessário realizar esse procedimento para que a aplicação não aconteça em um volume muito pequeno a ponto de não atingir o local necessário ou nem tão alto no que poderá causar escorrimento. O que pode causar ineficiência e desperdício de recursos, não obtendo o controle ideal da praga doença ou planta daninha.

Fatores climáticos

Para evitar a deriva, no momento da aplicação as condições climáticas precisam ser ideais.

A recomendação é que a aplicação seja feita quando a temperatura for menor que 30°C, a umidade relativa do ar seja maior que 50%, além de velocidade do vento entre 3 e 7 km/h.

Por exemplo, ventos com velocidade acima de 10 km/h contribuem para um aumento da deriva do produto, principalmente se o tamanho das gotas for fina ou muito fina, podendo atingir outras áreas de aplicação que não as desejadas.

Para fazer a aplicação dos defensivos sempre nas melhores condições climáticas, é necessário monitorar o tempo.

As principais tecnologias de aplicação de defensivos agrícolas

O objetivo da tecnologia de aplicação é aumentar a qualidade da operação e garantir que o produtor consiga atingir o alvo da forma mais eficiente possível, e com o melhor custo-benefício.

Por isso, existem tendências tecnológicas no setor que levam esses resultados ao produtor, auxiliando não apenas na lavoura, mas também nas decisões estratégicas.

Algumas delas são:

Telemetria: técnica que usa diferentes tecnologias para coletar e compartilhar remotamente dados sobre equipamentos e máquinas agrícolas. Para isso, você terá um conjunto de dispositivos conectados, como sensores de temperatura, umidade relativa e pressão de óleo, além do GPS;

PWM: a PWM (Pulse Width Modulation) é uma tecnologia utilizada em válvulas eletrônicas que, basicamente, controla a abertura das mesmas de forma muito rápida e são medidas em Hertz, de modo que não há falhas na pulverização. Além disso, o sistema permite reduzir a variabilidade das gotas, mantendo maior uniformidade ao longo da aplicação.

Veículo agrícola autônomo (VAA): é uma máquina capaz de realizar sozinha a operação de pulverização. Apesar de ainda não ser comercializado, é uma das principais tendências no campo da tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.

Conclusão

A aplicação de defensivos agrícolas de maneira correta não só permite o controle bem feito de pragas, doenças e plantas daninhas, mas também garante segurança aos profissionais e à produção da sua lavoura.

Neste artigo, vimos como a tecnologia de aplicação nos ajuda a obter uma maior eficiência neste controle e, também, entender como alguns fatores interferem no sucesso da pulverização.

Seguindo as dicas e realizando boas práticas, é possível ter sucesso com a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas em sua lavoura!

Adeilson Miranda

Adeilson Miranda

LinkedIn
Técnico Agrícola com experiência em tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas e CEO da AgriQ - Receituário Agronômico.