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Como calcular o custo de frete na logística agrícola

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O frete é um dos principais componentes do custo logístico no agronegócio e impacta diretamente a rentabilidade de produtores, distribuidores de insumos e empresas que dependem do transporte para escoar sua produção.

Saber como calcular corretamente o custo de frete na logística agrícola é essencial para tomar decisões mais estratégicas, negociar melhor com transportadoras e evitar prejuízos causados por estimativas imprecisas.

Neste artigo, você vai entender quais fatores influenciam o valor do frete, como fazer esse cálculo de forma prática e quais cuidados considerar para tornar a operação mais eficiente no campo.

O que compõe o custo do frete na logística agrícola

O custo do frete na logística agrícola é formado por um conjunto de despesas que vão muito além do valor cobrado por quilômetro rodado.

Para fazer um cálculo mais preciso e evitar surpresas na margem é fundamental entender todos os componentes envolvidos na operação de transporte no campo.

De forma geral, esses custos podem ser divididos em custos variáveis, custos fixos e custos operacionais.

Custos variáveis

São aqueles que aumentam ou diminuem conforme a distância percorrida e o uso do veículo. No transporte agrícola, os principais são:

  • Combustível, geralmente o item de maior peso no frete;
  • Pedágios, comuns em rotas intermunicipais e interestaduais;
  • Pneus, considerando desgaste, recapagem e substituição;
  • Lubrificantes e fluidos;
  • Diárias ou horas do motorista, quando aplicável.

Esses custos estão diretamente ligados ao número de viagens e à quilometragem rodada.

Custos fixos

Mesmo que o caminhão fique parado, esses custos continuam existindo e precisam ser diluídos no valor do frete:

  • Depreciação do veículo;
  • Seguro do caminhão e da carga;
  • IPVA, licenciamento e taxas obrigatórias;
  • Manutenção preventiva;
  • Salário fixo do motorista, quando contratado em regime CLT.

Na logística agrícola, esses custos fixos têm grande impacto no cálculo do frete ao longo do ano devido à sazonalidade.

Custos operacionais e adicionais

Além dos custos diretos, existem despesas específicas da operação logística no agronegócio que também influenciam o valor final do frete:

  • Carga e descarga, especialmente em armazéns e silos;
  • Taxas de risco e segurança (GRIS);
  • Tempo de espera para carregamento ou descarregamento;
  • Armazenagem temporária, quando a carga não segue direto para o destino;
  • Retorno vazio, comum em rotas agrícolas e que precisa ser considerado no preço do frete.

Compreender todos esses elementos é o primeiro passo para montar uma tabela de frete mais realista, negociar melhor com transportadoras e identificar oportunidades de redução de custos na logística agrícola.

Tabela da ANTT e piso mínimo de frete

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) é o órgão responsável por publicar e atualizar os pisos mínimos de frete para o transporte rodoviário de cargas no Brasil.

Esses valores definem o valor mínimo por quilômetro rodado que deve ser considerado em operações como carga lotação ou granel, garantindo que os custos operacionais básicos sejam cobertos e as regras legais sejam cumpridas.

O que é o piso mínimo de frete?

O piso mínimo de frete é um valor calculado com base em uma metodologia da ANTT que considera:

  • Tipo de carga (por exemplo, carga lotação ou granel).
  • Número de eixos do veículo.
  • Distância a ser percorrida.

A fórmula básica usada é:

Piso Mínimo (R$/viagem) = Distância (km) × Custo de Deslocamento (CCD) + Custo de Carga/Descarga (CC).

Esse cálculo atende às exigências da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, instituída pela Lei nº 13.703, de 2018.

Fatores que influenciam o valor do frete no agronegócio

O valor do frete no agronegócio não é fixo e pode variar significativamente de uma operação para outra. Isso acontece porque diversos fatores operacionais, logísticos e externos influenciam diretamente o custo final do transporte.

Entender esses elementos ajuda produtores e distribuidores a planejar melhor as operações e negociar fretes de forma mais estratégica.

Distância e rota percorrida

Quanto maior a distância entre origem e destino, maior tende a ser o valor do frete. Além da quilometragem, a qualidade da rota também pesa no custo.

Isso inclui estradas não pavimentadas, trechos em más condições ou com alto índice de pedágio, o consumo de combustível e o tempo de viagem.

Tipo de carga transportada

No agronegócio, o frete varia conforme a carga:

  • Grãos a granel (soja, milho, trigo) costumam ter valores diferentes;
  • Insumos embalados, como fertilizantes, defensivos e sementes.

Cargas que exigem cuidados especiais, como controle de umidade, proteção contra avarias ou equipamentos específicos, tendem a encarecer o frete.

Peso, volume e cubagem

O frete pode ser calculado pelo peso real ou pelo peso cubado, prevalecendo o maior. Cargas leves, porém volumosas, ocupam mais espaço no veículo e reduzem a capacidade de transporte, impactando diretamente o valor cobrado.

Tipo de veículo e número de eixos

Caminhões maiores e com mais eixos têm maior capacidade de carga, mas também apresentam custos operacionais mais elevados.

A escolha entre os diferentes tipos de veículo influencia o consumo de combustível, pedágios e manutenção, refletindo no preço do frete.

Sazonalidade do agronegócio

Em períodos de safra, a demanda por transporte aumenta, o que pode elevar os valores do frete devido à escassez de caminhões disponíveis. Já na entressafra, os preços tendem a ser mais competitivos.

Preço do combustível

O diesel é um dos principais componentes do custo do frete. Oscilações no preço do combustível impactam diretamente o valor cobrado pelas transportadoras, sendo um dos fatores mais sensíveis no cálculo do frete agrícola.

Retorno vazio

Em muitas rotas agrícolas, o caminhão retorna sem carga. Esse retorno vazio precisa ser compensado no valor do frete de ida, elevando o custo por viagem.

Pedágios, tributos e exigências legais

Pedágios, taxas obrigatórias, seguros e o cumprimento do piso mínimo de frete da ANTT também influenciam o preço final, especialmente em operações de longa distância.

Ao considerar todos esses fatores, fica claro que o valor do frete no agronegócio é resultado de uma combinação de variáveis logísticas, econômicas e sazonais.

Por isso, analisar cada uma delas é essencial para calcular custos de forma mais precisa e evitar impactos negativos na rentabilidade da operação.

Passo a passo para calcular o valor do frete

Para que o distribuidor ou o produtor rural tenha segurança financeira, o cálculo do frete não pode ser baseado em estimativas. Ele precisa de uma metodologia rigorosa.

1. Defina a distância e a rota

O primeiro passo é mapear a quilometragem total. Lembre-se de considerar se o valor será para a viagem de ida ou se deve cobrir o km vazio (caso não haja carga de retorno).

2. Calcule o custo

Some os principais custos da operação (combustível, manutenção, pneus, pedágio e motorista) e divida pelo total de quilômetros rodados no período.

Custo por km = custos totais ÷ km rodados

Após isso, multiplique o custo por km pela distância total da rota.

Custo da viagem = custo por km × distância

3. Inclua custos adicionais

Acrescente despesas específicas da operação, como:

  • Carga e descarga;
  • Taxas de risco (GRIS);
  • Tempo de espera;
  • Pedágios extras.

4. Aplique amargem delucro e impostos

Sobre a soma de todos os custos anteriores, você deve aplicar a margem de lucro desejada e os impostos (ICMS/ISS). No agronegócio, as margens costumam variar entre 15% e 25%.

Dicas para otimizar o custo de frete na sua distribuição

Reduzir o custo de frete na distribuição agrícola é uma estratégia essencial para aumentar a margem e ganhar eficiência logística. Algumas ações práticas podem gerar impacto direto nos resultados, mesmo sem grandes investimentos.

Aproveite o frete de retorno (logística reversa)

Se você é um distribuidor que envia fertilizantes para uma região produtora, procure transportadores que acabaram de descarregar grãos naquela localidade e precisam voltar para o porto ou centro de distribuição.

A vantagem dessa estratégia é que o transportador prefere fazer um preço mais agressivo do que rodar com o caminhão vazio.

Planejamento de safra e antecedência

O mercado de frete agrícola é regido pela lei da oferta e procura.

  • Fuja do pico: se possível, antecipe o transporte de insumos para os períodos de entressafra.
  • Contratos de longo prazo: em vez de depender apenas da contratação imediata, firme parcerias anuais com transportadoras. Isso garante disponibilidade de frota e preços mais estáveis mesmo na colheita.

Invista em tecnologia de roteirização

Rodar quilômetros desnecessários ou passar por estradas em péssimas condições eleva o consumo de diesel e a manutenção.

Softwares de roteirização ajudam a escolher o caminho mais curto e seguro, além de consolidar entregas para diferentes clientes em uma única rota, otimizando a ocupação do caminhão.

Consolidação de cargas

Para pequenos e médios distribuidores, o frete fracionado pode ser caro. Tente agrupar pedidos de produtores vizinhos para fechar uma carga lotação.

O custo por tonelada em um bitrem carregado é significativamente menor do que em várias viagens de caminhões menores.

Monitore o tempo de carga e descarga

Caminhão parado é custo. A Lei do Motorista prevê o pagamento de diárias por atrasos excessivos nos pontos de carga ou descarga.

Organize seu pátio e agende os recebimentos para evitar filas. A eficiência na operação interna torna você um cliente preferencial para os melhores transportadores.

A adoção de boas práticas de planejamento, negociação e uso de tecnologia permite otimizar custos, reduzir desperdícios e tornar a distribuição mais eficiente.

Dominar o cálculo do frete é uma tarefa operacional e também uma vantagem competitiva.

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Publicado por:
Formada em Comunicação Social Audiovisual, pós-graduada em Linguagens e Processos de Realização para o Cinema e Analista de Conteúdo na Aliare.