Como fazer a gestão da agroindústria e melhorar a produção?

Compartilhe

Segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária),a agroindústria contribui com 5,9% no PIB brasileiro. Essa participação vem, principalmente, do beneficiamento e da transformação de matéria-prima presente na agropecuária, integrando a produção rural ao restante do mercado econômico. Por isso é tão importante fazer a gestão da agroindústria de maneira adequada.

O objetivo da gestão industrial é justamente obter o equilíbrio entre processos e tomadas de decisões. Viabilizando assim, o aumento da produtividade pelo menor custo operacional.

Mas essa tarefa não é tão simples. Isso porque, exige atenção redobrada no planejamento e execução do que realmente pode fazer a diferença.

Por que é tão importante realizar a gestão da agroindústria?

Na gestão de indústrias que atuam com nutrição animal, defensivos e adubos, por exemplo, algumas técnicas podem ser utilizadas para obter maior dinâmica produtiva, com foco na identificação de gargalos e implementação de melhorias, tendo como base informações confiáveis e bem estruturadas.

É por isso que o principal resultado do avanço da gestão industrial é a redução de custos. Com a diminuição de retrabalhos e desperdícios, o resultado é a eficiência nos processos de fabricação, sem gastos desnecessários.

Além disso, é possível ter uma maior integração de processos, facilitando a identificação de gargalos e oportunidades.

Sendo assim, alguns dos principais benefícios são:

  • Melhorias na produção (maior produtividade);
  • Produtos com maior qualidade;
  • Redução nos custos;
  • Tomada de decisões mais assertivas.

Como fazer uma boa gestão?

O primeiro passo na gestão da agroindústria é integrar e padronizar os processos por meio de um sistema automatizado. Os processos são financeiros, administrativos, contábeis, fiscais, de manufatura, de qualidade e assim por diante.

Dessa maneira, todos os dados sobre o estoque, produção, finanças, demandas e até mesmo informações sobre colaboradores, ficarão dispostos em um só lugar.

Para além da automatização, existem técnicas e estratégias que podem ser utilizadas para melhorar a gestão, evitar desperdícios e consequentemente, aumentar o lucro.

Reunimos as mais importantes logo abaixo. Acompanhe:

Sistema Just In Time

Uma das melhores estratégias para fazer uma boa gestão e evitar desperdícios é a Just In Time, um sistema de administração da produção que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa.

Assim, ele segue três premissas básicas:

  1. Somente os itens necessários;
  2. Na quantidade certa;
  3. No momento certo.

Just In Time busca estoques reduzidos, custos menores e produtos de melhor qualidade.

Muitos insumos são produtos perecíveis e sazonais. Por isso, é importante que as agroindústrias controlem com precisão o prazo de armazenamento, processamento e os volumes do lote. Assim, o gestor da agroindústria deve ter um espaço adequado para a estocagem do produto em fase de processamento e finalizar a produção conforme a expedição.

A vantagem de utilizar o conceito está principalmente na agilidade e na redução de custos que ocorrem em toda cadeia produtiva. Até mesmo a arquitetura do negócio passa a ser planejada respeitando essa nova forma de produção.

Planejamento de recursos

O planejamento de recursos faz parte do planejamento estratégico da produção e nada mais é do que a disponibilidade dos recursos agroindustriais para a implantação do plano agregado de produção.

Dessa forma, os principais recursos abordados dentro de uma agroindústria são:

  • Infraestrutura;
  • Equipamentos;
  • Mão de obra especializada;
  • Capital de giro.

No planejamento de recursos, quando se trata de infraestrutura, são considerados, principalmente, o tempo de vida útil e a construção ou aquisição de novos equipamentos e investimentos no espaço físico.

Realizar esse planejamento é imprescindível, pois possibilita fazer o planejamento de curto, médio e longo prazos de custos de produção, vendas, investimentos em novas tecnologias e mobilidade.

Além disso, é importante conhecer como funciona a cadeia produtiva a qual sua agroindústria está relacionada, desde a sua produção, processamento, distribuição e ponto comercial.

Quando falamos em capital de giro, essa é a garantia que a agroindústria possui para a continuidade do seu sistema de produção. Esses recursos são normalmente projetados a longo prazo, de acordo com a capacidade financeira da agroindústria.

Planejamento e controle de estoque

Na agroindústria, tão importante quanto a produção, é o controle de estoque de tudo aquilo que se tem e de todos os demais produtos que serão produzidos. Assim, o estoque pode ser desde a matéria-prima a um produto que está em fase de processamento.

Para uma agroindústria ter um bom desempenho produtivo e gerar lucros, não é interessante que essa a agroindústria possua:

  • Níveis elevados de estoque, devido aos custos de estocagem e de produção. Podem provocar congestionamento na área de produção e necessitar de maior área para armazenagem;
  • Níveis baixos de estoque, pois podem diminuir a produção, ocasionar faltas e reduzir as vendas.

Além do controle físico, é importante fazer o controle financeiro do estoque, pois, associando os dois, é possível verificar a quantidade disponível de produto acabado e em fase de processamento, matéria-prima e suprimentos e seus respectivos valores monetários.

É fundamental, em uma agroindústria, o controle da entrada de insumos (matéria-prima) e saída de produto acabado através de fichas de controle. As entradas e saídas devem ser controladas por sistemas informatizados.

Controle de custos

Cuidar de todas as etapas da produção não é tarefa simples e, em uma delas, o cuidado deve ser redobrado: o financeiro.

As dificuldades operacionais no dia a dia da indústria podem limitar sua capacidade de análise e impedir a gestão de custos de forma eficiente.

A gestão de custos identifica, coleta, mensura e classifica valores atrelados à atividade comercial ou produtiva de uma empresa, permitindo aos gestores realizar o custeio e formação de preços, planejamento de vendas, controle e tomada de decisões.

Quando não se tem uma gestão de custos bem feita, fica difícil saber se está realmente tendo lucro com a atividade agrícola, por exemplo.

Ou seja:

Imagem 1: fluxograma do funcionamento da gestão de custos

Para isso, primeiramente, classifique seus custos dividindo entre custos fixos e variáveis:

  • As despesas fixas se referem àqueles gastos que não têm relação direta com o custo dos produtos. Por exemplo, mesmo que você consiga vender uma ou cem unidades, os gastos fixos não sofrem alterações;
  • Já as despesas variáveis sofrem impacto de acordo com a demanda durante a produção ou a disponibilização dos serviços. São exemplos das despesas variáveis: as horas extras de funcionários, manutenções emergenciais e impostos.

O segundo passo é avaliar seus custos diretos e indiretos.

Os custos diretos são aqueles que são incluídos diretamente no valor do produto e você tem facilidade para perceber. Se você oferecer ao mercado peito de frango, saiba exatamente o quanto de ração gastará para engordá-lo antes de realizar a sua venda, por exemplo.

Diferentemente do custo direto, custo indireto é aquele cujo valor é difícil de determinar. Ou seja: não há uma quantidade específica desse custo que possa ser mensurada ao produto. Isso significa que será necessária alguma métrica específica para vinculação do seu valor ao produto ou serviço.

Planejamento e controle de produção

Para uma gestão da agroindústria ser eficaz e eficiente, é preciso adotar o planejamento e o controle da produção (PCP).

Por meio dele, os gestores conseguem mapear e especificar informações imprescindíveis à estruturação dos processos produtivos, como:

  • O que produzir?
  • Quanto produzir?
  • Onde produzir?
  • Como produzir?
  • Quando produzir?
  • Com o que produzir?
  • Para quem produzir?

Sendo assim, ele tem por finalidade garantir que essas metas traçadas no plano ocorram, bem como a correção de possíveis erros e falhas durante o processo produtivo.

Os sistemas produtivos agroindustriais possuem o mesmo funcionamento: têm início com a entrada de insumos, passando pelo processamento e finalizando com o produto.

Dessa maneira, o planejamento e controle de produção não determina apenas o ritmo produtivo, mas tem implicações no posicionamento da indústria no médio e longo prazo. O PCP pode ser dividido em três níveis hierárquicos:

  • Nível operacional: definição dos programas de curto prazo de produção, incluindo programação, acompanhamento e controle da produção;
  • Tático: estabelece os planos de médio prazo, como o Planejamento Mestre da Produção;
  • Estratégico: reúne os diferentes níveis para estabelecer políticas estratégicas de longo prazo da companhia, de forma que o PCP integre o Planejamento Estratégico da Produção.

Portanto, o PCP é um diferencial competitivo para a empresa, gerando benefícios de curto prazo, como a reposição de matéria-prima e estoque organizado, e de longo prazo, como a qualidade dos produtos, política de preços e ganho de mercado.

Controle de qualidade

Fazer o controle de qualidade industrial é fundamental para garantir a excelência dos produtos que vão para o mercado. Quando algo vai mal, mas há processos bem desenhados, os erros são facilmente identificados e corrigidos.

A qualidade dentro de uma agroindústria pode abranger desde o processo produtivo até a gestão administrativa, passando pelo produto.

Assim, chamamos de parâmetros da qualidade do produto as características específicas ou o conjunto de características do produto que compõem um determinado aspecto da qualidade.

Os parâmetros devem ser adaptados à realidade de cada produto. No caso dos produtos provenientes das agroindústrias, como alguns produtos do gênero alimentício, destacamos a segurança (principalmente procedência e sanitária),a estética e a imagem da marca.

Então, como fazer esse controle de qualidade?

Para criar uma boa metodologia de controle de qualidade, é preciso dividir a tarefa em setores:

1.Processo

Diz respeito à produção em si. É articulado pela gerência, mas executado pelo pessoal da linha de frente com autonomia e precisão.

Exige uma excelente comunicação e processos bem definidos. Por isso, quando o processo como um todo funciona bem, fica fácil integrar uma nova pessoa.

2. Sistemas de garantia da qualidade

Podem ser feitos manualmente ou com o uso de tecnologia. Também analisam o processo, mas de forma minuciosa, comparando a produtividade em dias diferentes, buscando causas e corrigindo erros de forma macro, ou mais específica.

3. Gerência total da qualidade

Atua em nível estratégico, observando o produto final e criando novas soluções para que o processo em si se torne mais eficiente e a qualidade do resultado seja melhor para o consumidor. A partir dessas observações, há a implantação de novas metodologias no dia a dia da fábrica.

Conclusão

Com essas informações em mãos, é possível identificar problemas, tomar decisões e, portanto, se destacar da concorrência. Melhorando a gestão da agroindústria.

Além de todas as dicas acima, é preciso contar com as ferramentas certas para o sucesso dessa gestão.

Os recursos tecnológicos, como softwares, são grandes facilitadores para o aumento do desempenho industrial. Isso porque automatizam processos e mantêm o controle de dados ágil e assertivo.

Conte com a Siagri para realizar a gestão da agroindústria de maneira integrada, desde o planejamento de produção até a comercialização dos produtos. Clique aqui e conheça nossos softwares para gestão de agroindústrias!

Publicado por:
Arquiteto de soluções na Siagri, com mais de 11 anos de experiência em ERPs. Especialista em Gestão de Negócios e Controladoria Empresarial e Processamento de Dados, Análise e Desenvolvimento de Sistemas.